Entender a esquizofrenia 
A esquizofrenia levou-me a ser mendigo
A esquizofrenia levou-me a ser mendigo

A esquizofrenia levou-me a ser mendigo nas ruas de Lisboa (Portugal) e nas de Londres (Inglaterra). Foi muito triste e doloroso andar a pedir e a viver na rua, ao frio e à chuva, nunca pensei que um dia passaria por esta experiência.

Sempre gostei de trabalhar, mas com equilíbrio, entre trabalho e diversão.

Porque fugi de casa de minha mãe para Lisboa no final do ano 2006?

Fugi porque a minha família me cria obrigar a voltar a tomar a medicação e eu não cria pois sabia que iria novamente ficar todos os dias com sono, gordo, não conseguir correr e ficar com impotência. Por isso me fiz mendigo para ninguém me poder controlar, não tendo residência e nem forma de ser contactado ou achado. Pedia esmola e arranjava aparelhos eléctricos em troca de dinheiro em lojas, cabeleireiros e em casa das pessoas. Arranjei uma nova namorada e depois fui viver com ela para Mem Martins. Consegui vários trabalhos, mas não me aguentava neles, por causa das vozes e então minha relação amorosa começou a ter problemas também, terminando mais tarde.

Porque fugi de Portugal para Londres em Dezembro do ano 2007?

Fugi para Londres porque andava a ouvir vozes com mais frequência em Portugal e não conseguindo aguentar pensei que se fosse para outro país elas poderiam desaparecer. Quando cheguei lá observei que as vozes não tinham desaparecido e fiquei sem saber o que fazer. Pedi ajuda lá, em instituições de discriminação e na policia em como andava a se perseguido, mas não me ajudaram, pois não souberam lidar com o assunto e não sabiam que andava doente. Continuei a viver nas ruas até que houve umas oportunidades de dormir dentro das igrejas e de tomar refeições e banho também lá, através de apoios solidários aos sem abrigo de Londres. Apoiaram-me a arranjar trabalho o qual correu bem ao princípio durante 3 meses até que as vozes me fizeram me despedir. Quando comecei a trabalhar, poupei e arranjei um quarto para viver e sair assim das instituições me tornando independente. Tive vários trabalhos até que um dia deixei de conseguir ignorar as vozes e comecei a responder e a partir dai comecei a ser mais atormentado. Não aguentando mais fiz vários golpes nos braços afim de me tentar matar o que  fui impedido pela policia e levado para um hospital. Perguntaram me depois de tratarem os braços, se não queria ser acompanhado e ir para um hospital psiquiatro e logo recusei e decidi voltar para Portugal, para casa de minha mãe e lhe pedir ajuda.

Pedi ajuda à minha mãe e ela me ajudou, mas não conseguiu que eu volta-se a ser tratado e meses depois atiro vários objectos, como o fogão, aquecedores, televisões e computadores pelas janelas do apartamento pois tinha chegado ao limite em estar 2 anos sem nenhuma medicação, nem acompanhamento.

Conclusão, pode-se aguentar tudo o que as vozes dizem, mesmo as palavras mais ofensivas à nossa pessoa. Como? Ignorando-as e acreditando mais no nosso eu, como pessoa, personalidade, princípios e em toda a educação que nos deram ao longo da vida. Um dia podemos sim chegar ao limite de tanta ofensas, ordens e perseguições. O tempo em que aguentamos isso, depende de pessoa para pessoa, mas tudo tem um limite sim, pois não somos de ferro.

A medicação e o acompanhamento é fundamental, por isso tanto o doente como o psiquiatra têm que chegar a um entendimento sobre o, ou os medicamentos que se devem tomar e os que se devem rejeitar devido aos seus efeitos secundários. Só assim é que se vai evitar recaídas devido a futuros abandonos do tratamento e conseguir ter estabilidade na vida.

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